Statement – Portugues
Motivação
As paisagens que pinto são memórias de lugares e sua atmosfera.
A quietude destes lugares intriga-me. Nessa quietude procuro algo que não se vê, uma certa tensão.
Na procura dessa dualidade, reproduzo um determinado momento onde se sente todo um passado, que a qualquer momento pode mudar, porque algo vai acontecer.
Um jogo entre o passado, presente e futuro.
É o que tento contar com a tinta.
Através de uma variada forma de pintar e o uso depoucas cores, traduz um siginifcado mais profundo.
São pinturas sobre “Saudade” (”Sehnsucht”). Paisagens irreais e da memória.
Fevereiro 2011
AS MAIS BELAS FLORES VIVEM ABEIRA DO BARRANCO
é um ditado que realmente me agrada, e também parece representar a minha maneira de pintar e desenhar. Pesquisando os limites sem cair na ravina.
Um caminho que conduz a algum lugar, mas para onde? O fim é invisível pela abundância de luz. Espero que o espectador seja desafiado a percorrer o caminho para descobrir o que está a acontecer fora dos limites da visão.
Actualmente estou altamente inspirada na lua cheia; o dualismo da noite; a escuridão, bem como a luz na escuridão; bela como também ameaçadora.
Eu estou a procurar uma atmosfera horripilante (“unheimlichkeit”), tranquilidade e decadência.
Cenas congeladas, não relacionados com o tempo, é o que me fascina.
Ingrid Simons 2010
Introdução
As paisagens de Ingrid Simons podem ser divididas numa série de paisagens rurais e uma série de caminhos na floresta. As paisagens rurais, muitas vezes em preto e branco ou preto e rosa, são abandonadas e em bruto, com elementos como lampadários, cabos eléctricos e degraus. Também na série de caminhos florestais, Ingrid Simons trabalha com um paleta restrita de cores: preto, branco, rosa, amarelo e verde. Figuras humanas quase desaparecem no ambiente. Por meio de sobreexposição, a luz come cor e forma ramos e figuras. A captação de luz e formas torna o espectador curioso por aquilo que é invisível. A sobreexposição também resulta numa tensão fascinante entre duas e três dimensionalidades.
O trabalho do Ingrid Simons tem uma ligação intensa com a fotografia. Ela usa a câmara como um caderno de esboços e para fazer anotações de campo. É semelhante à manipulação da luz e escuridão quando se desenvolvem imagens na sala escura ou com o Photoshop, ela manipula a luz ao pintar.
Traduzindo impressões de fotografia em pintura, as imagens são alargadas às sugestões e ilusões de uma paisagem. A obra de Ingrid Simons consiste em litografias, desenhos de lápis sobre papel e foto polímeros, mas a maioria são pinturas a óleo, muitas vezes em grande porte formato. A sua maneira de pintar varia entre a delicadeza de finas camadas até cruas e expressas camadas de tinta com poucas cores.
Alex de Vries (2005) escreveu sobre suas obras: …. “O assunto não é pessoas, mas os seus invólucros e arredores, o estado de espírito que as circunda, os pensamentos e sentimentos que ressoam em torno delas.” Curiosamente, nas suas obras recentes as figuras humanas têm realmente desaparecido das suas paisagens, mas a atmosfera misteriosa não é menos evidente.
Ingrid Simons, Fundação OBRAS & departamento de cultura da Câmara Municipal de Évora.
Marco 2010
